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Escrito por Idelber Avelar às 02h32
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Considerações sobre UOL, blogs e portais no dia da saída
Eu acho que eu já falei isso com vocês aqui no blog: mineiro não sai chutando a porta. Neste último post aqui queria agradecer a hospitalidade do UOL, apesar de seu enfurecedor e incompreensível verificador anti-spam. Se este blog conseguiu média de 500 comentários por mês com essas letras sob tortura, tudo indica que no novo pontocom temos condições de transformar o blog naquilo que eu gostaria mesmo: um foro de debate, discussão, democracia. Quanto ao UOL, eu continuarei pagando-lhes meus 18 reais mensais, já não para hospedar o blog, mas para acompanhar a Folha, apesar de eu estar lendo cada vez menos jornais e cada vez mais blogs. Sem querer, então, chutar a porta na saída, eu não posso me furtar uma pergunta: como é possível que o maior portal de conteúdo e acesso à Internet na América Latina possa operar hospedando milhares de blogs e ao mesmo tempo não ter a menor noção do que acontece na blogosfera brasileira de vida inteligente?
As dimensões do UOL são impressionantes:
Lançado em abril de 1996, o UOL provê acesso em mais de 2.200 localidades brasileiras e oferece também números locais de conexão em mais de 14 mil cidades no exterior. Tem hoje mais de 1,3 milhão de assinantes pagantes. Desde setembro de 1999, atua também como portal e provedor de acesso na Argentina. O UOL reúne o mais extenso conteúdo em língua portuguesa do mundo. Está organizado em 42 estações temáticas, com mais de mil diferentes canais de notícias, informação, entretenimento e serviços, somando mais de 7 milhões de páginas. Segundo o Ibope NetRatings, o UOL teve média de 7,130 milhões de visitantes únicos domiciliares mensais no Brasil em 2004, número que lhe dá a primeira posição no ranking dos maiores portais de conteúdo do país e representa cerca de 60% de alcance nesse mercado. Isso significa que de cada 10 pessoas que acessam a Internet a partir de casa, 6 visitam o UOL regularmente. Ainda segundo o Ibope, o UOL teve média mensal de 1,094 bilhão de páginas vistas em domicílios no Brasil no ano passado.
No entanto, a página de abertura dos blogs do UOL é uma seqüência de pisca-piscas adolescentes. Ficaram sem resposta todas as minhas tentativas de chamar atenção dos responsáveis pela área de blogs do UOL para alguns dos blogs de qualidade hospedados no portal, como os dos fantásticos poetas Mário Coivara ou Ana Peluso, esta recomeçando seu blog do zero depois de um trágico apagamento. Falo sem nenhum ressentimento: o Biscoito conquistou mais leitores mais rapidamente que eu jamais imaginava. Mas não deixou de me estranhar que muito depois de ser reconhecido por blogs como Por um Punhado de Pixels, Pensar Enlouquece e Liberal Libertário Libertino o Biscoito ainda não aparecia entre os top 100 blogs do UOL! Na mesma semana Alexandre Cruz Almeida havia dado uma entrevista ao Estadão dizendo que o Biscoito era um dos cinco melhores blogs em língua portuguesa. Quando lhe agradeci disse que, sem falsa modéstia, eu achava que ainda não havia chegado lá (top 15 talvez, top 5 não). Mas que algo estava errado com os motorzinhos do UOL se a gente não aparecia entre os cem melhores blogs do portal.
Ao longo da convivência, ficou óbvio para mim que o UOL entende os blogs como fofoca internética e não tem uma boa compreensão do que a blogosfera já realizou em língua portuguesa. Falta compreensão do que se poderia realizar se um portal como o UOL investisse, aperfeiçoasse, assessorasse os blogs nele hospedados, com atenção especial aos blogs de qualidade, onde há pessoas escrevendo com um pouco mais de reflexão, seja poesia, seja jornalismo, seja o que for. Parece que o UOL, mesmo sendo um gigantesco hóspede de blogs, ainda demorará um tempo para perceber o potencial da blogosfera. Fábio Sampaio, super professional responsável por minha transição ao pontocom, explica que o sistema do UOL é um desafio pela quantidade de nonsense colocado nele. Todos os profissionais que conhecem de programação parecem concordar que o sistema é um monstrengo. Falando como blogueiro, posso garantir que é das coisas menos amigáveis com o usuário que já experimentei. Os dados mostram que por mais que a blogosfera haja crescido, ainda há um descompasso: para o maior portal de internet da América Latina, os blogs ainda são uma coleção de banais confissões pisca-pisca. Poderíamos tirar deste fato algumas conclusões?
Contagem regressiva ao ponto com: UM (na manhã desta quarta-feira postaremos aqui o link à nova casa, onde estará lhes esperando um novo post).
Escrito por Idelber Avelar às 02h38
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Prolegômenos esportivos a um post sobre duas mulheres
Eu estou preparando um post em homenagem a duas mulheres. Ainda não é este. São duas mulheres que eu aprendi a chamar pelo primeiro nome. Não é lindo isso, leitor, aprender, ao longo dos anos, a chamar alguém pelo primeiro nome? Ambas são doutoras, mas hoje para mim elas já são Cat e Beth. Dra. Cat reside em New Orleans e Dra. Beth reside em Belo Horizonte. Cat é minha advogada e Beth é minha analista (de linha freudo-lacaniana). Como é que fui mexer com advogada e com analista? Aguardem os próximos capítulos do Biscoito. Por enquanto, isto: sem mais elementos para embasar-me, eu as escolhi porque eram mulheres. E foi um sucesso.
Maravilhosa cervejada e comemoração da vitória: Quando os compatriotas brasileiros chegam aos EUA eu gosto de apresentar-lhes um evento que é genuína cultura popular estadunidense bacana – o campeonato nacional de basquete universitário, os NCAA’s Trata-se de uma competição que tem lugar no coração das pessoas, entre as universidades nas quais elas estudaram. Sobre a escola para eu qual eu torço, cabe uma palavra. A Universidade da Carolina do Norte, pública, foi fundada em 1789. Escola de Michael Jordan, poderosa no basquete, teve no leme durante décadas Dean Smith, baixinho branquelo genial, responsável por inter-raciais sit-ins (manifestações em restaurantes) importantes na derrocada do racismo nos anos 60. A UNC é também respeitada por graduar todos os seus jogadores-alunos, sem babaquices ou falcatruas. Os torcedores da legendária UNC (que andava em baixa desde a aposentadoria de Dean) estamos comemorando a sensacional campanha deste ano. Na celebração da ida às semifinais neste domingo, o blogueiro descobriu que há uma legião de torcedores (ex-alunos) da UNC em Nova Orleans, incluindo umas belas advogadas de olhos azuis. Os NCAAs são o que a cultura esportiva dos Estados Unidos tem de melhor: mulherada ouriçada no sports bar, cervejinha gelada, high-fives. No próximo sábado tem mais. Por falar em esportes, saudações aos blogs atleticanos Martelo, Sarapalha, e Mineiras, Uai (power trio que inclui uma torcedora do ex-Ipiringa). O Biscoito decreta: a blogosfera belo-horizontina é mais atleticana que o Café Nice da Afonso Pena.
Para os leitores que chegam agora: eu escrevo sobre literatura. O primeiro livro, sobre narrativa latino-americana, pós-ditadura e luto, saiu em inglês, espanhol e no Brasil ficou assim. O segundo, sobre violência, fuçável online, é este aqui. Eu gosto de dar pitacos sobre música, já escrevi sobre a música de Minas Gerais, metálica e clubedaesquínica. Sobre política, eu digo, com revolta, isto, com paciência, isto, sem paciência, isto.
Nesta transição ao pontocom, eu devo agradecimentos a cinco seres humanos de generosidade infinita. Aos prezados e à linda, gratidão muy mucha. A casa está ficando chique que vocês nem imaginam. Aproveitem as letrinhas do sistema anti-spam do UOL enquanto é tempo. Contagem regressiva para a nova, maravilhosa casa, abençoada por cobras criadas: DOIS
Escrito por Idelber Avelar às 01h21
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Alejandra Pizarnik (1936-72): Escrevo como uma faca erguida na escuridão
(traduções minhas, originais aqui)
1
Dei o salto de mim à aurora
Deixei meu corpo junto à luz
e cantei a tristeza do que nasce
6
ela se desnuda no paraíso
de sua memória
ela desconhece o feroz destino
de suas visões
ela tem medo de não saber nomear
o que não existe
13
explicar com palavras deste mundo
que partiu de mim um barco levando-me
37
mais além de qualquer zona proibida
há um espelho para nossa triste transparência
Os Trabalhos e as Noites
para reconhecer na sede meu emblema
para significar o único sonho
para não sustentar-me nunca de novo no amor
fui toda oferenda
um puro errar
de loba no bosque
na noite dos corpos
para dizer a palavra inocente.
Escrito por Idelber Avelar às 02h06
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Feliz Aniversário Galo 
O Clube Atlético Mineiro foi fundado, ao contrário de todos os outros grandes times do Brasil, não por desportistas de elite, mas por 22 meninos que mataram aula. Ao contrário de todos os outros grandes times do Brasil, o Galo já era, na década de 1910, um time de negros e mulatos, numa época em que o futebol brasileiro ainda era segregado. Disso nós muito nos orgulhamos.
O Galo é pioneiro em tudo:
primeiro campeão da cidade de BH (1908)
primeiro campeão do estado de MG (1915)
primeiro campeão de um torneio inter-estadual brasileiro (Campeão dos Campeões do Brasil, 1936)
primeiro time brasileiro a excursionar vitoriosamente pela Europa (1950)
primeiro e único clube de futebol do mundo a derrotar a seleção brasileira de futebol (1969)
primeiro campeão brasileiro de futebol (1971)
primeiro campeão da Copa Sul-Americana Conmebol (1992)
Parabéns ao Galo, por 97 anos de glórias. Este post será atualizado a cada 10 minutos com impressões sobre o clássico deste sábado, entre o Galo e o ex-Ipiranga, pelas semifinais do campeonato mineiro.
10 minutos de jogo: como sempre, a massa é maioria no Mineirão (mesmo pela televisão dá prá ver). O Galo já teve uma chance e Fred, do ex-Ipiranga, já recebeu amarelo por jogo violento. 12 minutos: quase gol do Galo, em finalização de Fábio Jr. 17 minutos: bate-rebate na área do ex-Ipiranga. Galo domina o jogo. Massa enlouquecida. 20 minutos: ex-Ipiranga equilibra o jogo e ganha escanteio. 26 minutos: o Galo mete uma bola na trave!! Mais um cartão amarelo para o ex-Ipiranga (Batatais). 28 minutos: Fred, do ex-Ipiranga, perde um gol na cara. Jogo sensacional no Mineirão. O ex-Ipiranga usa o toque mais miúdo, o Galo joga mais em velocidade. 32 minutos: amarelos para Fabio Jr., do Galo e Dracena, do ex-Ipiranga, por bate-boca. Jogo tenso na Pampulha. 35 minutos: sai Edson e entra o garoto Quirino no Galo. 37 minutos: falta contra o Galo, batida prá fora. Ex-Ipiranga volta a equilibrar o jogo. 39 minutos: falta contra o Galo, que começa a tomar sufoco. 46 minutos: Galo, no contra-golpe, quase marca. Empate é justo neste primeiro tempo.
Segundo tempo, 4 minutos: Zagueiro Adriano, do Galo, se machuca seriamente e sai chorando muito. Entra Henrique. 10 minutos: escanteio para o Galo. Massa em polvorosa. 13 minutos: Renato perde gol feito para o Galo. Sai Renato contundido. Galo queima a última substituição, entra Leandro Smith. Muito azar. 17 minutos: desvio na barreira e gol do ex-Ipiranga. Melda. Galo perde por 1 x 0. 23 minutos: ex-Ipiranga trunca o jogo e o Galo, sem 4 titulares, não reagiu ainda. 27 minutos: ex-Ipiranga mete bola no travessão. Jogo fica muito complicado para o Galo. 38 minutos: Galo mete bola na trave! 44 minutos: Fábio Jr. é expulso. A coisa fica muito feia. Termina o jogo, 1 x 0 ex-Ipiranga. O Galo precisa de uma vitória por 2 gols de diferença na próxima semana em Ipatinga. Não é o fim do mundo. Já saiu de buracos maiores.
Escrito por Idelber Avelar às 12h47
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Sobre encontros de blogueiros, subsídios, comentários e esportes
Sobre encontros de blogueiros: dezenas deixaram recados animados com possíveis encontros de blogueiros. Mantenhamos viva a idéia de vários pequenos encontros nas principais cidades brasileiras. Já de antemão, convido meus amigos blogueiros belo-horizontinos a uma cervejinha no Mercado no primeiro fim de semana de junho e os blogueiros paulistanos a uma cervejinha no domingão 19 de junho, quando estarei em Sampa caminho a Araraquara.
Sobre subsídios: como um representante da Prefeitura de Belo Horizonte abertamente nos ofereceu canais de conversação, eu gostaria de esclarecer: 1) eu moro no exterior desde 1990 e não aceito dinheiro público para qualquer tipo de evento e não preciso dele; 2) no Biscoito os blogueiros terão sempre o espaço para se organizarem e planejarem reuniões sem serem importunados por pessoas cuja especialidade é vociferar em blogs contra leis de incentivo à cultura; 3) no Biscoito qualquer representante do poder público – fazendo o seu papel de profissional – que quiser nos oferecer interlocução, ajuda ou esclarecimento sobre como algum possível evento blogueiro pode receber apoio terá a paz para fazê-lo sem ser importunado por pessoas cuja especialidade é vociferar contra as leis de incentivo à cultura. Então só para esclarecer: eu não quero subsídio nenhum. Ganho mais que suficiente. Mas o espaço do Biscoito para que vocês se organizem e apresentem o projeto à prefeitura de Belo Horizonte sem serem importunados continuará aberto. Quaisquer comentários questionando seu direito de fazê-lo, ou obstaculizando-o de qualquer forma, serão sumariamente apagados. Quem quiser vociferar contra o incentivo estatal à cultura, procure outro blog. Quem quiser discutir se ele deve ou não existir, também. Essa discussão é considerada superada pelo Biscoito, porque o blogueiro que o confecciona lê sobre política cultural há tempos e não está disposto a ter discussão tão básica como “deve ou não deve haver apoio estatal à cultura". Há outros blogs para essa discussão pedestre, que ignora o fato de que jamais houve estado digno do nome que não apoiasse ou subsidiasse, de alguma maneira, sua cultura. Discutiremos política cultural no Biscoito, mas não nesse nível.
Sobre os comentários: o apagamento de um comentário que nos atacava por conversar sobre a apresentação de um projeto a uma prefeitura me leva a divulgar-lhes umas estatísticas. O Biscoito existe mesmo desde novembro. Em quatro meses foram deixados aqui 1964 comentários e somente 4 foram apagados. Está bastante razoável. Considerando como as discussões fervem e se defendem posturas polêmicas aqui, estão todos de parabéns pela civilidade.
Sobre o critério que rege a brincadeira: dos 4 comentários apagados ao longo da história do Biscoito, um foi essa agressão recente à iniciativa coletiva, 2 continham calúnias contra mim e o outro foi por uso deselegante das maiúsculas. Das 2 calúnias, uma era a acusação de que eu teria estudado nos EUA com dinheiro público (sempre ele, habitando as fantasias dos ressentidos) e o seu autor se retratou por email. A outra era de que eu criticava o governo porque algum dia teria tentado entrar ao estado por concurso e não teria conseguido (vou lhe contar, tem louco para tudo). Acusação assim, dessas malucas, eu decidi que não aceitaria. Tem que pôr uns limites, não é, meninas? Todos os que tiveram comentários apagados aqui terminaram convertendo-se em leitores regulares, o que prova que a casa não deixa de ser hospitaleira e pedagógica :)
PS, Futebol: o Clube Atlético Mineiro celebra hoje 97 anos. Neste sábado às 16h o Galo enfrenta o ex-Ipiranga, tentando a incrível marca de cinco tamancadas consecutivas.
PS, Basquete: a única época em que o basquete toma a dianteira no meu coração é durante as finais do campeonato estadunidense universitário (nos sonolentos profissionais da NBA não vejo a menor graça). Nesta sexta à noite, a minha alma mater sobreviveu às oitavas-de-final num jogaço.
Contagem regressiva para o pontocom: TRÊS
Escrito por Idelber Avelar às 18h39
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Bar Ruim é Lindo, Bicho
Eu ia fazer um post, juro. Mas via Nós por Nós chega-me um texto extraordinário. Estou lendo o blog do cara, tentando descobrir de onde ele é. Pela dicção e jeitão da língua, tem toda a pinta de ser um texto escrito na minha Belo Horizonte. Está fazendo sucesso na blogosfera mas acho que vocês não conhecem ainda. Aqui vai Bar Ruim é Lindo, Bicho:
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. “Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado e ... continue lendo Bar Ruim é Lindo, Bicho.
Depois voltem e me digam se o cara é extraordinário ou não é. Se o texto tiver sido escrito em BH mesmo, quero saber, porque meu palpite foi baseado na pura prosódia do cara (bom, e no pedido de uma pinga "de Salinas"). Adorei.
Escrito por Idelber Avelar às 12h35
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